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Tem uma passagem, que provavelmente você já conhece:
Certa vez, um homem estava se afogando no meio do mar e, no alto do seu desespero, implorou:
“Deus, por favor…venha me salvar”
Pouco tempo depois, passou um pescador numa canoa e gritou:
“Tome, segure essa corda… eu te puxo pra cá…"
O homem respondeu: “Não, obrigado. Deus virá me salvar"
Mais um tempo depois, passou uma pessoa de jetski, estendeu as mãos e disse:
“Pula pra cá, homem! Venha que te tiro daqui…"
O homem respondeu:
“Não precisa, eu tenho fé que Deus vai me salvar…"
E por último, um helicóptero… jogaram a corda com a rede e o homem respondeu:
“Vá embora, eu tenho certeza que Deus vai me salvar”
Bom, poucos minutos depois, o homem morreu afogado.
Chegando no céu, ele foi “tirar satisfações com Deus”:
“Meu Deus, eu sempre acreditei tanto em ti, implorei que viesse me salvar e me abandonou… por que?”
Nisso, Deus respondeu:
“Meu filho, eu mandei uma canoa, um jetski e um helicóptero…”
O que essa história ensina, que inclusive a ciência comprova:
Que existe uma diferença entre expectativas positivas e fantasias positivas
O cidadão da história não criou expectativas, ele criou uma fantasia de que Deus “pessoalmente” iria lhe ajudar.
Bom, essa não é uma news sobre religião, é uma news sobre como o conceito de fantasia positiva pode te atrapalhar.
E não sou eu quem estou dizendo, existe um estudo de 2002, publicado no Journal of Personality and Social Psychology (Gabriele Oettingen e Doris Mayer) que acompanhou 83 universitários alemães que estavam concluindo a faculdade e entrando no mercado de trabalho.
Eles avaliaram com que frequência esses estudantes tinham pensamentos, imagens e fantasias positivas sobre se formar, procurar emprego e conseguir uma boa colocação profissional.
Dois anos depois, os pesquisadores foram verificar como esse grupo estava, e eles descobriram o seguinte:
Quanto mais os estudantes haviam se entregado a fantasias positivas sobre o sucesso profissional, pior havia sido seu resultado:
enviaram menos candidaturas a vagas;
receberam menos ofertas de emprego;
e acabaram recebendo salários menores.
Ou seja, aqueles estudantes que mais ficaram se imaginando já tendo sucesso, exercendo a profissão e, consequentemente, colhendo os “louros” da conquista, foram os que menos executaram ações reais, que os levariam para aquele resultado.
A conclusão desse estudo é muito boa: quanto mais você fantasia seu sucesso, mais anestesiado você se torna em relação ao caminho que te leva pra lá
A primeira vez que eu li sobre esse estudo foi, um tanto quanto, indigesto.
Porque eu sou muito adepto de exercícios de visualização futura. Eu já disse algumas vezes que lá atrás, em 2018, quando fecho meu escritório e vou ser trainee Jr na Wise Up eu tinha clareza de como aquele movimento me favoreceria no futuro
Nesse exato momento por exemplo, eu também tenho clareza de onde o Vendas Pro pode chegar
Ou seja, eu gosto de olhar pro futuro… ai é que entra o ponto chave lá da moral da história do homem que morreu afogado:
Existe um limiar entre expectativas positivas e fantasias positivas
Me auto analisando, eu entendo o porquê a conclusão do estudo dos 83 universitários não me cabe: eu sempre parei nas expectativas, nunca cheguei nas fantasias
E onde será que mora esse limiar? Na minha opinião, e isso não é uma conclusão do estudo, mas uma opinião pessoal, esse limiar não é mental.
Esse limiar é físico.
E por que ele é físico? Porque o que impede de uma expectativa virar fantasia é a execução
O próprio estudo demonstra isso quando diz que os universitários que fantasiavam mandaram menos currículos
Aqui é onde a ordem dos fatores altera o resultado final
Eles receberam menos ofertas, porque mandaram menos currículos
E eles mandaram menos currículos, porque não agiram na proporção correta
Eles não agiram na proporção correta porque ficaram no campo da imaginação e, por isso, a parte física (que é colocar em ação), ficou escanteada
É o puro efeito anestésico em ação
Ou seja, qualquer plano, melhor que seja, sem execução, é só devaneio.
E sabe o que é mais louco disso tudo ?
É que nesse ponto o perfeccionismo vira a desculpa perfeita da procrastinação.
Você nunca tá pronto. Sempre falta algo.
“Ainnn mas não quero fazer mal feito”
“Ainnn mas o produto ainda não tá totalmente pronto"
“Ainnn ainda não aprendi todo o conteúdo do curso…"
E assim vai o efeito anestésico tomando posse de você, sob a alegação de que você não faz nada mal feito.
Mentira!
Você faz algo mal feito sim: você constrói o seu eu do futuro mal feito
Porque a sua versão de lá do futuro, que é resultado das suas ações do presente, ele sempre sentirá o peso da dúvida, do “e se…"
“E se eu tivesse começado antes de estar pronto…?"
“E se eu tivesse lançado já o meu produto…?”
“E se eu tivesse tomado aquela decisão que adiei tanto…?”
Entenda, eu já tive uma dívida de 600 mil reais. Eu já me separei da Lê em 2 oportunidades, eu já passei muito perrengue na vida.
Muitas coisas que eu planejei e executei fracassaram, eu já quebrei muito a cara.
Mas se tem algo que os meus “eu's do futuro” não podem se queixar é que eu não carrego a dúvida do “e se” pra eles
Basta fazer pesquisas de estudos com pessoas em fase terminal você vai ver que, a grande maioria delas, não tem arrependimento do que fizeram, mas sim, do que deixaram de fazer.
Pode ser que ser salvo por uma canoa, não seja o destino que você queria
Pode ser que ser salvo por um jetski, não é a melhor maneira que você entende
Pode ser também que um helicóptero todinho pra te salvar, seja muito bom pra ser verdade
Ou pode ser que você não queira ser salvo mesmo, e tá tudo bem…
A única coisa que você precisa ter alinhado consigo mesmo é que lidar com suas decisões não é opcional, você não tem como fugir disso. Elas baterão à sua porta e nesse momento, você não poderá mais procrastinar.
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Se cuida!
Até sexta que vem, às 11:06
Netto Simões

