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Hoje o assunto é delicado, e muitas pessoas podem se ofender.
Falar de dinheiro é mais tabu do que falar de sexo.
Então, o primeiro alinhamento que quero fazer contigo: o tema é sobre pobreza, não miséria.
Há uma diferença considerável entre os 2. Eu nunca sequer flertei com a miséria, mas eu já estive pobre.
Fui pobre depois de ser rico.
Alguns anos depois que eu nasci, meus pais viviam seu ápice profissional:
Tinham imóveis, 5 carros na garagem, a maior imobiliária do bairro.
Passava todas as minhas férias em Ilhéus, na Bahia. Pra você ter uma idéia, eu só fui conhecer o litoral de São Paulo, aos 17 anos, porque a família da Lê tinha um apartamento na Praia Grande.
Uma das maiores recordações de infância que tenho, foi quando meu pai comprou um carro chamado “Besta”, que cabiam 12 pessoas. E quase todo final de semana ele passava "recolhendo” primos, amigos… e íamos pra nossa chácara numa cidade aqui de São Paulo chamada “Alumínio”
Eu tive super nintendo aos 8 anos. Talvez eu e mais 2 ou 3 pessoas no bairro tinham isso, você só encontrava em video locadora.
Então até os meus 10 anos (cravado), foi essa minha realidade.
Aos 10 anos e alguns dias, meus pais se separaram… e vou te confessar: com 10 anos você não tem capacidade de dimensionar o impacto de uma separação. Ela foi bem traumática pra minha mãe e pras minhas irmãs (que são mais velhas do que eu)
Pra mim foi: agora só vejo meu pai a cada 15 dias. Foi ruim? Sim, foi muito. Mas aos 10 anos você já tá cheio de amiguinhos pra jogar video, jogar bola o dia todo.
Então, aquele vínculo que você tem mais novo, é natural que seja diluído pelas suas outras relações sociais.
Porém, essa separação criou um efeito financeiro bem complicado, que, alguns meses mais tarde (meses, não anos), culminou na falência do escritório.
Aos 10 anos eu tinha chácara pra passar final de semana, 5 carros pra escolher qual passear e viagem pro nordeste todas as férias… antes dos 12 anos, eu lembro de termos que mudar de apto porque íamos ser despejados por falta de pagamento.
E à partir dai tive uma vida de escassez por alguns anos… ela só foi começar a melhorar quando entrei no mercado imobiliário e comecei a fazer minhas vendas.
Então, eu posso te dizer que conheci a pobreza dos 12 aos 19 anos. Novamente: muito longe da miséria. Talvez eu nem poderia chamar de pobreza.
Mas é pobreza mais no sentido de ir estudar em escola pública com situações precárias, ter que ficar alguns bons finais de semana quietinho em casa porque não tinha grana pra sair, ver minha mãe pedindo dinheiro emprestado pra familiares porque senão ia perder o carro, e por ai vai…
Bom, aos 19 anos eu entrei no mercado imobiliário e tive quase que uma carreira meteórica.
Porque apenas 4 anos depois, aos 23 anos, eu me tornava sócio de uma pequena construtora local (como fiz isso é assunto pra uma outra news)
Ali eu tava recém casado, eu e a Lê alugamos uma casa bem bacana pra morarmos, comprei um carro automático (usado, mas bem novinho), ajudei a Lê a comprar um Fiat 500 zero (ela na ocasião era enfermeira)
Começamos a viajar, passear todo final de semana, conhecer restaurantes. Até que ela engravida em 2013 e decidimos comprar um sobrado com o triplo do tamanho da casa que morávamos.
Comprei também um apzinho pra deixar alugado, troquei o carro por um SUV
E ali, já com 28 anos, tudo encaminhava para chegar aos 30 anos “milionário”
Mas, em 2015, não sei se sua memória é boa, mas teve um elemento chamado “impeachment” na ocasião, da Dilma.
Foi uma das maiores crises econômicas do país, e pra resumir bem a história:
Em Abril de 2014 a Laura nasce e ela tem uma casa de 300 mts esperando por ela
Em Setembro de 2015, apenas 1 ano e meio depois, o Gabriel nasce e eu não fazia nem idéia de onde ia tirar os 15 mil reais da médica que fez o parto dele
Conclusão: 2015 eu tenho uma dívida na pessoa física de 600 mil reais.
Vendo a casa, o apto e o carro, nenhum estavam quitados, mas, com uma engenharia e muito esforço, quito a dívida em meados de 2017.
De 2015 à 2017 eu conheço outra face da “pobreza”, que é você ter algum patrimônio, mas não ter 1 real na conta.
Eu vivia só de uso de cheque especial e do limite dos cartões
Pra ser justo, não sei nem se posso chamar isso de pobreza também, mas era uma época de muita escassez de recursos.
Na época, meu custo de vida deveria ser em torno de 20 mil/mês. Como o mercado imobiliário mergulhou na crise, 3 meses que eu ficava sem vender um imóvel, acumulava 60 mil de dívida….era uma bola de neve.
Ter um custo elevado e não ter uma receita previsível é um caminho pavimentado pra pobreza.
Mas onde quero chegar te dando essa minha trajetória financeira?
Que por mais que eu não tinha vivido a extrema pobreza, eu tive sim que conviver com a escassez de recursos, principalmente ali na minha pré-adolescência
Depois de ter superado minha falência, ter vivido a falência dos meus pais, e hoje conseguir dar uma qualidade de vida muito boa pra minha família, eu consigo olhar pra trás e falar a pior parte que os momentos de escassez tiveram na minha vida:
A pior parte da pobreza é que ela te rouba os sentimentos de merecimento e capacidade
Como assim, Netto?
A escassez de recursos, especialmente para nós homens, é um dos mais agressores de auto estima.
Nossa essência, você concorde ou não, é de sermos provedores.
Se a dinâmica ai na sua casa é diferente, ok… respeito. Mas, no DNA de um homem, está ali um elemento de provedor muito forte.
Seja de segurança, conforto, emocional e claro, financeiro.
A pobreza agride isso de forma quase que covarde.
Porque não há momento pior pra você se sentir incapaz, do que quando têm escassez de recursos.
Nesse momento, o emocional vai ladeira abaixo. Porque há um dilema interno de “tenho que prover minha família” com “será que sou capaz disso”, com: “como cheguei nisso?”…culminando com: “será que consigo sair disso?”
Bom, o que posso deixar de aprendizado de quem já se fez todas essas perguntas acima:
Que duvidar de si quando as coisas não vão bem, apesar de ser um “ato natural”, é como sangrar em tanque de tubarões.
Agir rápido, pedir ajuda, dar seu 120%, 130…150%, é a melhor forma de você ocupar sua cabeça. Ao invés de refletir se é capaz ou não, passe a agir para que demonstre sua capacidade.
Nesses momentos, movimento é mais importante que direção.
Eu sei que isso pode parecer “papo de coach”, motivacional…e blá blá blá… acredite em mim: eu sou uma das pessoas com maior senso crítico para ações efêmeras, e jamais te estimularia a fazer algo por fazer
Mas não há, em quem está passando por uma dificuldade, habilidade mais útil, do que SE MEXER!
A inércia é uma areia movediça, que te engole… que faz você achar que não merece e não é capaz de algo melhor.
A pobreza te tira o dinheiro, a casa, o carro, o plano de saúde, a melhor escola… e faz parte, a vida é uma montanha russa.
Mas ela não pode te tirar o ímpeto, a vontade, a capacidade de agir.
Ser pobre de dinheiro, não há demérito algum. Ser pobre de atitude, isso é inconcebível.
Quero te fazer um convite: amanhã, dia 27/06, à partir das 10 hrs, vou fazer um treinamento ao vivo, no zoom, sobre “Contorno de Objeções”. Será uma oportunidade pra você, que ainda não é meu aluno, entender minha didática e aprender algo novo.
Não ficará gravado e quem estiver ao vivo, além do treinamento, irei compartilhando alguns prompts que utilizo aqui pra avaliar a performance do meu time.
Pra participar, basta CLICAR AQUI e entrar no grupo silencioso de whatsapp. Lá que vou mandar o link
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Se cuida!
Até sexta que vem, às 11:06
Netto Simões

