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Hoje, quando escrevo essa news, é feriado (Corpus Christy). Acabei de chegar no escritório para fazer algumas tarefas, uma delas, te escrever.

Há alguns minutos atrás eu estava em casa e na parte debaixo parecia que estava acontecendo uma 3a Guerra Mundial:

Davi e Théo disputavam os mesmos brinquedos o tempo todo

Laurinha e Gabriel disputavam quem irrita mais o outro o tempo todo

E no meio disso tudo, às vezes a Lê baixa a “mãe doida” e sai berrando com os 4…

Eu tava só ouvindo do quarto, enquanto me arrumava.

Ai comecei a refletir o quão maluco é a vida de uma família grande. Se liga como em poucas horas o cenário muda totalmente…

Ontem, fiz um bati e volta em BH pra palestrar no evento de um grande amigo. E eu recusei o convite pra ficar no hotel, o único pedido que fiz pra ele foi: posso ir e voltar no mesmo dia? pq assim não mexo na rotina aqui de casa.

Então eu voltei no último vôo do dia, que ainda atrasou. Por isso, cheguei em casa 00:20

Silêncio absoluto!

Nenhum bebê pra me receber na porta de casa

Nenhum filho acordado pra eu ter que mandar tomar banho e dormir

Apenas a casa, silenciosa, com as luzes apagadas e nada mais.

Os brinquedos estavam cada um em seu lugar (a Lê faz eles arrumarem tudo antes de dormir)

Não havia gritos, não havia barulho, nada…

O absoluto oposto da manhã de hoje

Eu confesso que hoje são raríssimos momentos que me encontro com o silêncio.

Quando vou pra academia, tô com fone no ouvido

Quando tô no carro, to com o Spotify ligado (quando a Lalá tá junto eu só escuto K-Pop, que não aguento mais, inclusive)

Quando tô em casa, ou estou na função oficial de totokeiro do Théo, ou na função de ajudante de montador de casas de peças encaixadas do Davi, ou de comentarista das figurinhas do Gabriel ou de fornecedor oficial de chocolate da Lalá

Isso sem contar nas funções de esposo

Eu sei que muitos de vocês gostariam de ver essa dinâmica, e eu compartilho bem pouco sobre isso no Instagram, por alguns motivos:

1) O Théo simplesmente não suporta que eu pegue o celular. É real, ele pode estar entretido com o que for, se ele vir meu celular na minha mão, ele para o que tá fazendo e vai lá bater no celular. Vc acredita?

2) Normalmente minhas mãos estão ocupadas… seja segurando o Théo, brincando com Davi. Apartando os 2

3) Eu sou muito reservado mesmo.

Mas se um dia eu pegasse um fillmaker pra mostrar a rotina de casa pra vc ia ser divertido

Cada refeição é uma aventura: Davi cada hora quer comer num pratinho diferente, Théo não aceita mais ficar no cadeirão (no alto dos seus 1 ano e 4 meses ele já se sente maduro o suficiente pra sentar na cadeira normal)

O Gabriel sempre derruba comida ou chá… é impressionante como ele é desastrado

E a Laura sempre tenta comandar a mesa… mandona que só.

Isso é um pequeno recorte da dinâmica.

Na semana passada eu te convidei a parar, respirar e se questionar o porquê você faz o que faz…

Você testou isso? Não é um exercício fácil

Mas existe um mais difícil ainda:

Você parar e respirar… e só.

Conviver com o silêncio é desafiador. A mente não para, os filhos não param, o whatsapp não para, o Instagram não para… nada para.

E a paternidade ela me ensinou exatamente isso: nada para.

Seus filhos vão crescer. E mais rápido do que você possa conceber.

Já já o Théo o Davi não estarão mais brigando pelo mesmo brinquedo, mas estarão irritando um ao outro (afinal esse é o “core business” na profissão irmão)

Já já a Laura e o Gabriel não estarão mais irritando um ao outro, mas talvez, ajudando um ao outro na faculdade ? (pq a evolução natural dos irmão é a união)

Já já a Lê não terá que berrar mais pra casa parar de parecer um local de guerra

E quando esse momento chegar… ahhhh meu amigo, minha amiga.

Eu terei que aprender a me dar bem com o silêncio.

Eu terei que aprender, de forma definitiva, com o que lidei ontem ao chegar do aeroporto.

Até que cheguem os netos para voltar a disputar brinquedos, a voltar a recusar cadeirões e a tornarem a sala um local de “guerra”, é o silêncio que preencherá a minha casa.

Minha conclusão disso tudo: eu terei muito tempo pra conviver com o silêncio lá no futuro, agora, minha função de pai é garantir que a “guerra” dure o máximo de tempo possível.

Que você possa curtir a “guerra” dos pequenos por ai também.

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Se cuida!

Até sexta que vem, às 11:06

Netto Simões

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