follow-up news
o follow que vc curte
- Sabe o que a vovó fez pra você comer hoje à tarde?
- Sei, vó!
- O que foi?
- Bolo de laranja!
- Acertou…
- E sei também que você fez ki-suco de guaraná, acertei?
- Acertou, meu filho…. vem comer.
Eu acabei de fazer uma viagem no tempo, mais precisamente aos anos de 1993, 94, 95… 96.
Foi dos meus 6 aos 10 anos que chegava da escola e, quase toda semana, era recebido com bolo de laranja.
Meus pais trabalhavam muito, eles tinham imobiliária. Meu pai cuidava da parte comercial, minha mãe, da administrativa.
Eu chegava da escola e quem cuidava de mim era minha vó Laura (agora você descobriu porque minha filha tem esse nome)
Eu lembro que minha vó tinha um temperamento difícil com todos, menos comigo.
Lá na casa dela eu podia dormir sem tomar banho, sem escovar dentes.
Podia ficar sem comer feijão, mas, se tratando do feijão da dona Laura, eu não era nem doido de abrir mão dele.
Tenho uma memória tão vívida da casa dela: taco de madeira no chão, daqueles que algumas peças soltavam, sabe? Uma tv tubo na estante, que só tinha uns 5 canais. Um radinho que ela ouvia o Ely Coimbra, mas o radinho dela era especial: tinha uma capa de couro marrom.
Na sala tinha um sofá esverdiado, que era lá, que eu deitava a cabeça no seu colo e espera o jornal que sempre tinha o “Isso é uma vergonha” (do Boris Casoy) acabar, pra vermos junto a novela Carrossel.
hum… vou fazer uma pausa. Eu realmente me emocionei agora, já volto…vou só pegar uma água.
Voltei.
E por que, do nada, eu tô falando aqui na news sobre a pessoa que mais eu sinto falta hoje? Eu a perdi, em 2004 (ou 2005… minha memória não registrou esse fato corretamente)
Por um motivo simples: antes de começar a escrever a news, onde eu iria falar sobre uma técnica específica, eu peguei uma bolacha de chocolate (para os cariocas bixxcoito) da Belvita.
E ai me dei conta de quão prazeroso pra mim é comer um doce. O quão é difícil pra mim ficar sem ele. Não à toa, na quaresma, meu sacrifício é ficar sem comer doce.
Nisso me veio um estalo, que foi me questionar a raiz disso:
Por que eu gosto tanto desse momento de comer um doce?
Meu cérebro fez uma viagem, em milésimo de segundos, e me trouxe a imagem do bolo de cenoura da dona Laura.
Bingo!
Eu, inconscientemente (ou não), devo ter assimilado comer doce à um momento no qual tenho tanta saudade
Provavelmente, é apenas uma hipótese, esse momento é aquele que, de alguma forma, eu tento fazer uma viagem no tempo e reviver aqueles momentos tão marcantes.
Pode ser que seja isso ou pode ser somente falta de disciplina mesmo (se bem que eu não tenho problema algum em ser disciplinado)
Mas eu quero aproveitar a news de hoje pra te fazer uma provocação:
Em qual momento do dia, você para para questionar os porquês das suas ações?
Vou ser bem sincero contigo:
Se não fosse o meu compromisso contigo, de toda semana trazer a news, e quando começo a escrevê-la eu tenho uma preocupação genuína de te gerar valor (por isso que aqui tem ZERO uso de IA, inclusive perdoe alguns pequenos erros), eu não teria feito esse exercício de auto-reflexão.
E na real? Eu nem lembro a última vez que parei e me questionei a origem das minhas ações.
loucura né? a gente entra no modo automático sem perceber
deixamos de reparar em alguns detalhes da vida que fazem toda a diferença
passamos a viver sempre no futuro, sempre a próxima ação, sempre a próxima tarefa, sequer lembramos da existência do presente.
Ainda bem que existem as memórias, as recordações, as avós e os bolos de laranja… que nos tiram do modo automático e nos coloca no modo humano.
Então fica meu convite pra você:
Para um minutinho ai, respira, e se pergunta o porquê você faz o que você faz?
Você pode chegar a conclusão alguma ou pode fazer uma viagem no tempo tão gostosa quanto um bolo de laranja.
Como você avalia a edição da newsletter hoje?
Se cuida!
Até sexta que vem, às 11:06
Netto Simões

